quinta-feira, 3 de julho de 2008

O gesto de amor do homem pernalto

Tirando ao acaso
De dentro de um saco
Uma pinha amarela
Com cheiro a canela

Canela, paprika
A hera que estica
No muro bem alto
Do homem pernalto

Não usava cartola
Nem calsa comprida
Nem babete pingado
De tom azulado

Na casa pintada
Na quinta do charco
Uma vaca vermelha
Com rabo de ovelha

Com orelhas de rato
Barriga de rã
Olhava para a lua
No sol da manhã

O homem pernalto
Com cara de flor
Cabeça atómica
Num gesto de amor

Sentiu a vaca
Filha da árvore
De pele vermelha
Com rabo de ovelha

Comeu um caroço
Que fez espiral
No alto pescoço
De quem não faz mal

Um comentário:

Anônimo disse...

minha linda, peço desculpa não ter comentado mais cedo mas como tenho um apelo a fazer-te, aproveito!
O poema está fantástico, gosto da forma como brincas com as palavras...
Tenho pena que a lenda já não esteja destinada às minhas mãos porque ia adorar que me ajudasses a reescrevê-la!

Agora o apelo:
POR FAVOR, PUBLICAS MAIS COISAS TUAS!!!
Já espreitei tanta coisa que fizeste e que merece sair do teu quarto/escritório... "Carambaa!..."

Beijinho Grande, gosto muito de ti!